Um dia desses, minha irmã postou
no Facebook algo que me chamou muito a atenção. Disse ela que, lendo um post
antigo de seu blog, ela encontrou uma “projeção” de como ela estaria em 10 anos
após aquela data.
E, depois de seis anos, quando
ela releu aquilo, ficou surpresa em ver que sua previsão foi quase totalmente
cumprida, ela está exatamente como se imaginava em dez anos, e em menos tempo,
exceto a parte de tentar engravidar, porque isso deve ficar pro futuro mesmo,
já que ela é mais nova que eu, né?!
Ao ler isso, claro que eu fiquei
muito feliz por ela!!! Mas ao mesmo tempo, isso me fez pensar em como eu
pensava que estaria hoje, seis anos atrás. Confuso?
Refleti sobre isso e só tenho uma
certeza: seis anos atrás, se me perguntassem onde eu estaria hoje, eu jamais
acertaria.
Realmente, apesar de seis anos
atrás eu ter acabado de passar em um concurso público federal e ter me mudado
para Brasília (só com algumas malas e mochilas), eu não imaginava continuar na
mesma cidade depois de tanto tempo. Muito menos trabalhando no mesmo lugar.
Nada disso estava em meus planos
e, pensando nisso, concluí que não faço muitos planos.
Se me perguntar hoje como me
imagino em cinco, seis ou dez anos, não tenho a menor ideia do que estarei
fazendo (olha o gerundismo aí geeeeente!) e nem tenho planos.
Acho que por isso mesmo, estou
fazendo tudo o que não planejei que faria.
Curioso, porque sempre me achei
uma pessoa tão organizada e com tantas ideias pro futuro, mas me reconheci
alguém que vive no melhor estilo “Zeca Pagodinho”, do tipo “deixa a vida me
levar”...
E ela me trouxe até aqui. Isso me
espantou. Mais espantada ainda eu fiquei com a ideia de que não tenho
planejamento pro futuro, então, consequentemente, não tenho a menor ideia do
que vai acontecer comigo ou com a minha vida.
Isso não quer dizer que eu não
pense no futuro. Ao contrário, guardo um dinheirinho pros dias menos felizes,
penso na aposentadoria e tenho até seguro de vida pra deixar algo quando eu
“faltar” (pra não dizer nada mais desagradável tipo “passar dessa pra
melhor”...).
Ainda tenho algumas ideias bem
genéricas do tipo: pra onde quero viajar, o que quero conhecer, quais cursos
quero fazer, que línguas pretendo falar, que tipo de casa/apartamento/carro eu
quero ter, se quero ter filhos, etc...
Mas nada muito específico.
O único planejamento que
realmente tenho na vida é o da minha próxima viagem de férias e até isso,
ultimamente, tem me deixado um pouco confusa, já que as datas planejadas têm
sido alteradas e os destinos também são tantos os desejados...
Achei que foi ótimo parar um
pouco pra refletir sobre tudo isso. Sempre achei que planejar muito tudo na
vida é ruim. Mas falta de planejamento total também não é legal. Pelo menos,
comigo, me fez ficar parada num mesmo lugar.
Claro que a falta de tédio do meu
trabalho ajuda. Fazer algo diferente, ter sempre algo novo todos os dias (ou
quase todos) no trabalho e na vida pessoal mesmo faz com que a gente não se
sinta tão "parada” no tempo.
Mas isso não justifica minha
surpresa com o fato de eu continuar, depois de seis anos, morando numa cidade
que eu não gosto e onde nunca pensei em morar. Pelo contrário, quando eu estava
no colegial e minha mãe, ingenuamente, sugeriu a possibilidade de nos mudarmos
para Brasília, eu disse que não iria de jeito nenhum! E que, se fosse, voltaria
logo depois pra SP pra fazer faculdade. Sempre encarei essa minha mudança pra
Brasília como uma espécie de “castigo” por essa minha rejeição da simples ideia
de mudar pra cá quando adolescente.
Por falar em colegial, lembro de
ter estudado com uma menina que tinha planos muito específicos de como seria a
vida dela.
Segundo ela, quando tivesse 19
anos, estaria na faculdade de medicina, namorando um cara da igreja que ela
frequentava e que, em tanto tempo, ficaria noiva e, quando se formasse, iria
casar.
Eu achava aquilo tão maluco e tão
perigoso... Principalmente quando o ideal de vida de alguém dependia de um
vestibular concorridíssimo e da boa vontade de um terceiro... Juro que temia
muito por sua decepção. Nunca achei que temos domínio sobre o nosso destino.
Por mais que façamos nossa parte, a única coisa certa é que nosso destino é
sempre incerto.
Talvez essa minha forma de
encarar o futuro, muito cética, se deva ao fato de que meu pai morreu cedo.
Isso faz com que pensemos que, por mais que planejemos tudo, sempre alguma
merda pode acontecer e isso pode ferrar sua vida ou fazer você se desviar
completamente de algum caminho.
Vai ver é por isso mesmo que não
faço muitos planos. Principalmente aqueles que envolvem outras pessoas. Não sei
nem se eu estarei viva e bem de saúde em tal data, muito menos os outros...
De qq forma, tudo isso me faz
pensar se não devo começar a pensar no meu futuro de uma forma um pouco mais
específica. Parar de pensar em coisas genéricas para começar a traçar alguns
objetivos mais claros para que eu possa correr atrás deles sem grandes
distrações...
E aí, você que gastou seu
precioso tempo lendo esse meu desabafo, tem planos pro futuro? Genéricos,
específicos? Quer pensar nisso ou não acha que vale à pena?
;o)
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