sábado, 24 de agosto de 2013

Sobre planos pro futuro...


Um dia desses, minha irmã postou no Facebook algo que me chamou muito a atenção. Disse ela que, lendo um post antigo de seu blog, ela encontrou uma “projeção” de como ela estaria em 10 anos após aquela data.

E, depois de seis anos, quando ela releu aquilo, ficou surpresa em ver que sua previsão foi quase totalmente cumprida, ela está exatamente como se imaginava em dez anos, e em menos tempo, exceto a parte de tentar engravidar, porque isso deve ficar pro futuro mesmo, já que ela é mais nova que eu, né?!

Ao ler isso, claro que eu fiquei muito feliz por ela!!! Mas ao mesmo tempo, isso me fez pensar em como eu pensava que estaria hoje, seis anos atrás. Confuso?

Refleti sobre isso e só tenho uma certeza: seis anos atrás, se me perguntassem onde eu estaria hoje, eu jamais acertaria.

Realmente, apesar de seis anos atrás eu ter acabado de passar em um concurso público federal e ter me mudado para Brasília (só com algumas malas e mochilas), eu não imaginava continuar na mesma cidade depois de tanto tempo. Muito menos trabalhando no mesmo lugar.

Nada disso estava em meus planos e, pensando nisso, concluí que não faço muitos planos.

Se me perguntar hoje como me imagino em cinco, seis ou dez anos, não tenho a menor ideia do que estarei fazendo (olha o gerundismo aí geeeeente!) e nem tenho planos.

Acho que por isso mesmo, estou fazendo tudo o que não planejei que faria.

Curioso, porque sempre me achei uma pessoa tão organizada e com tantas ideias pro futuro, mas me reconheci alguém que vive no melhor estilo “Zeca Pagodinho”, do tipo “deixa a vida me levar”...

E ela me trouxe até aqui. Isso me espantou. Mais espantada ainda eu fiquei com a ideia de que não tenho planejamento pro futuro, então, consequentemente, não tenho a menor ideia do que vai acontecer comigo ou com a minha vida.

Isso não quer dizer que eu não pense no futuro. Ao contrário, guardo um dinheirinho pros dias menos felizes, penso na aposentadoria e tenho até seguro de vida pra deixar algo quando eu “faltar” (pra não dizer nada mais desagradável tipo “passar dessa pra melhor”...).

Ainda tenho algumas ideias bem genéricas do tipo: pra onde quero viajar, o que quero conhecer, quais cursos quero fazer, que línguas pretendo falar, que tipo de casa/apartamento/carro eu quero ter, se quero ter filhos, etc...

Mas nada muito específico.

O único planejamento que realmente tenho na vida é o da minha próxima viagem de férias e até isso, ultimamente, tem me deixado um pouco confusa, já que as datas planejadas têm sido alteradas e os destinos também são tantos os desejados...

Achei que foi ótimo parar um pouco pra refletir sobre tudo isso. Sempre achei que planejar muito tudo na vida é ruim. Mas falta de planejamento total também não é legal. Pelo menos, comigo, me fez ficar parada num mesmo lugar.

Claro que a falta de tédio do meu trabalho ajuda. Fazer algo diferente, ter sempre algo novo todos os dias (ou quase todos) no trabalho e na vida pessoal mesmo faz com que a gente não se sinta tão "parada” no tempo.

Mas isso não justifica minha surpresa com o fato de eu continuar, depois de seis anos, morando numa cidade que eu não gosto e onde nunca pensei em morar. Pelo contrário, quando eu estava no colegial e minha mãe, ingenuamente, sugeriu a possibilidade de nos mudarmos para Brasília, eu disse que não iria de jeito nenhum! E que, se fosse, voltaria logo depois pra SP pra fazer faculdade. Sempre encarei essa minha mudança pra Brasília como uma espécie de “castigo” por essa minha rejeição da simples ideia de mudar pra cá quando adolescente.

Por falar em colegial, lembro de ter estudado com uma menina que tinha planos muito específicos de como seria a vida dela.

Segundo ela, quando tivesse 19 anos, estaria na faculdade de medicina, namorando um cara da igreja que ela frequentava e que, em tanto tempo, ficaria noiva e, quando se formasse, iria casar.

Eu achava aquilo tão maluco e tão perigoso... Principalmente quando o ideal de vida de alguém dependia de um vestibular concorridíssimo e da boa vontade de um terceiro... Juro que temia muito por sua decepção. Nunca achei que temos domínio sobre o nosso destino. Por mais que façamos nossa parte, a única coisa certa é que nosso destino é sempre incerto.

Talvez essa minha forma de encarar o futuro, muito cética, se deva ao fato de que meu pai morreu cedo. Isso faz com que pensemos que, por mais que planejemos tudo, sempre alguma merda pode acontecer e isso pode ferrar sua vida ou fazer você se desviar completamente de algum caminho.

Vai ver é por isso mesmo que não faço muitos planos. Principalmente aqueles que envolvem outras pessoas. Não sei nem se eu estarei viva e bem de saúde em tal data, muito menos os outros...

De qq forma, tudo isso me faz pensar se não devo começar a pensar no meu futuro de uma forma um pouco mais específica. Parar de pensar em coisas genéricas para começar a traçar alguns objetivos mais claros para que eu possa correr atrás deles sem grandes distrações...

E aí, você que gastou seu precioso tempo lendo esse meu desabafo, tem planos pro futuro? Genéricos, específicos? Quer pensar nisso ou não acha que vale à pena?

;o)

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