Apesar
de toda a aparente futilidade do filme, acho que ele aborda a moda de uma forma
bem interessante. Mas o que eu mais gosto do filme não tem absolutamente nada a
ver com moda. Gosto mesmo é da reflexão que o filme provoca com relação às
escolhas que fazemos em nossas vidas.
Quem
assistiu, deve lembrar que no final, Meryl Streep diz para a Anne Hathaway que
tudo o que aconteceu com ela durante o filme decorreu de suas escolhas e que
nada lhe havia sido imposto.
De
fato, em nossas vidas, reclamamos muito que não temos opção, que temos que
fazer uma ou outra coisa, mas isso não é bem verdade...Quem acredita em livre arbítrio sabe que tudo o que acontece em nossas vidas é resultado de nossas escolhas. Escolhemos, a todo momento, como nos portar, o que fazer, de que forma agir ou reagir e isso, sem duvida, é o que nos move.
Apesar
de acreditar nisso, vivo enfrentando situações que me fazem questionar até que
ponto somos realmente responsáveis por tudo o que nos acontece.
Costumeiramente, convenço-me de que somos inteiramente responsáveis, mas isso
nem sempre é bom, porque mesmo sabendo que muita coisa decorre de minhas
próprias atitudes, sinto-me impotente na maioria das vezes.
Isso
porque agir conforme nossa consciência e portarmo-nos exclusivamente de acordo
com nossas vontades é algo “socialmente indesejado”, já que, vivendo em uma
coletividade, temos que ceder em alguns pontos para respeitar os direitos e
interesses dos outros. Temos, sim, (temos mesmo?) que nos conformar com algumas
regras e convenções sociais que nos impedem simplesmente de agir como “porra
loucas” o tempo todo. Embora, obviamente, isso não seja uma “regra” seguida por
todos, mas pela grande maioria de pessoas que tenta ajustar seu comportamento à
vida em sociedade...
Esse
tipo de reflexão também me faz questionar até que ponto, realmente, não podemos
agir como queremos. E reconheço que podemos. Para isso, só precisamos nos
despir dessa necessidade absurda que temos de “aprovação social”. É o famoso
“não ligar para o que os outros pensam”.
O
problema é que sempre ligamos pro que os outros pensam, mesmo quando
acreditamos que não ligamos ou adoramos alardear por aí que “não estamos nem
aí”... Claro que existem poucas exceções, mas as pessoas, em geral, têm uma
necessidade de aprovação social sim. E, infelizmente, são influenciadas e,
algumas vezes, até mesmo definidas pelo que os outros pensam ou falam delas.Daí, não agem única e exclusivamente de acordo com suas consciências.
Saindo
da abstração e trazendo esse questionamento para a minha vida, penso que,
infelizmente, me vejo presa em algumas situações nas quais acredito não ter
saída se não agir de determinada maneira.
Mas,
para não ser hipócrita comigo mesma, tenho que reconhecer que tenho, sim,
escolha. Posso me portar de forma distinta, mas não quero. E essa minha
‘vontade’ não é consciente e deliberada. Ao contrário, é íntima. E não quero
agir diferentemente porque tenho, lamentavelmente, uma necessidade de ser vista
ou considerada de determinada forma.
Agir
de forma diferente não é algo simples. Temos que nos despir de preconceitos e
dessa necessidade de aceitação social. E, realmente, não ligar para as
consequências.
Confesso
que eu detesto me sentir num beco sem saída, com um único caminho a seguir,
especialmente quando esse caminho não foi escolhido diretamente por mim, mas
por terceiros.
Aí,
paro, penso e vejo que eu contribuí fortemente para me colocar numa situação
dessas. E tenho a opção de voltar para trás, ao invés de seguir nesse caminho.
Algumas
pessoas optam por segui-lo por simples comodismo. É mais fácil continuar a ir
em frente, quase que por ‘inércia’, do que parar para refletir sobre suas vidas
e concluir que tudo poderia ser diferente. Temos sempre aquela sensação idiota
de que não temos tempo suficiente para colocar nossos projetos em prática,
começar novamente...Fico feliz ao ver pessoas que não são travadas assim. Eu, infelizmente, ainda sou. Espero poder me despir disso tudo um dia. Mas, por enquanto, ainda sigo alguns caminhos sem tê-los escolhido e continuo p*&$# da vida por me sentir sem saída.
A diferença, penso eu, é que paro e reflito e – triste! – reconheço que participei fortemente das escolhas por esse caminho que às vezes me sufoca. Não só segui em frente, como também deixei de voltar para trás. Mas o fato de reconhecer minha participação nisso só me “acalma o coração”. Vejo que não sou um fantochezinho social tão perfeito. Ainda penso, questiono e reflito. Mas, – que pena! – ainda espero chegar o dia em que eu tenha coragem de, como na cena mais emblemática daquele filme, jogar no chafariz da Place de La Concorde tudo aquilo que me irrita e que, se eu tivesse feito minhas escolhas deliberadamente, jamais teria cruzado meu caminho...

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